“O clima do Funchal, de Outubro a Maio e entre o litoral e a igreja de N.ª S.ª do Monte, foi ganhando a reputação de excepcional, ameno, nem muito seco nem demasiado húmido, com um ar limpinho e sem poeiras.

Já no século XVIII, de 1747 a 1751, o médico inglês Dr. Thomas Heberden fizera observações e medições meteorológicas que lhe apontavam as excelências. Dera o primeiro passo sério para que a classe médica começasse a recomendar a estadia no Funchal como a mais propícia a um tratamento eficaz num vasto leque de moléstias, desde a gota às anemias. Convalescentes vieram muitos, sem esquecer os tísicos, pois por toda a Europa, em plena industrialização, espalhava-se a tuberculose. Era um tempo em que, para o seu tratamento, se recomendava, além do repouso e dos bons ares, o leite de burra na alimentação e o ópio como anti-tússico. Vieram tísicos célebres, como a princesa D. maria Amélia, filha de D. Pedro… e muitos outros, mais ou menos anónimos, espanhóis, franceses, belgas, alemães, russos… mas, debilitados ou mesmo doentes, o maior número foi o dos britânicos, numa curta estadia no caminho ou regresso do Império, ou com licenças de residência para 3 e 6 meses renováveis, esperançados numa cura nem sempre conseguida.

Ao princípio do séc. XX, o Monte ficou na moda como lugar de convalescença e alguns hotéis novos foram abertos. Um deles foi o Hotel Monte Palace, instalado num edifício elegante a meio de um parque esplêndido de 16 hectares; com árvores frondosas, jardins, fontes de água pura, uma lagoa (com quedas de água e um <<escorrega>> para pequenos barcos) e actividades diversas como ténis, croquet, bilhares, etc. “

In: Impressões da Madeira Antiga, Luis de Sousa Melo & Susan E. Farrow