“António Joaquim Marques, natural de Lisboa, foi o primeiro que obteve a concessão da Câmara Municipal para a construção e exploração de um caminho de ferro, ou elevador, até o Monte. Foi-lhe concedida em 1887, após os estudos preliminares do engenheiro Raul Mesnier Pousard, a quem se deve, entre outros, o elevador da Santa Justa em Lisboa.
Após diversas dificuldades encontradas na concretização do empreendimento, a concessão iria passar em 1890 ao Capt. Manuel Alexandre de Sousa, funchalense, a quem foi dado um prazo para a organização da Companhia do Caminho de Ferro do Monte (C.F.M.).
Em Agosto de 1891 iniciaram-se as obras. Cerca de dois anos mais tarde, a 13 de Abril de 1893, entrava no porto do Funchal a barca dinamarquesa <<Concordia>>, vinda de Antuerpia, com material para a linha. Logo depois, a 16 de Julho, inaugurava-se o primeiro troço entre o Pombal e a estação acima da Levada de Santa Luzia. Esta primeira carruagem tinha uma capacidade de 60 passageiros e propunha-se transportar igualmente, com carga e com tarifa especial para a fábrica do Torreão, molhos de cana.
No ano seguinte anunciava-se para breve a chegada de mas uma carruagem e locomotiva, vindos da Alemanha. Assim, em Julho de 1894, partia de Anvers o vapor alemão <<Zeus>>, enquanto decorriam as obras na linha para permitir a circulação das duas composições. O segundo troço, até o Monte (Atalhinho) foi finalmente inaugurado a 5 de Agosto numa viagem de individualidades convidadas e o engenheiro Kieser conduzindo a máquina, num percurso de 35 minutos e de 2.500 metros, por entre uma paisagem rural, onde se cruzavam meios de transporte mais tradicionais.
O último e terceiro troço, do Monte ao Terreiro da Luta, aconteceria bem mais tarde, a 24 de Junho de 1912, na mesma ocasião em que se inauguraria também o <<Chalet Restaurante-Esplanade>>, havendo aí refeição e música pelo sexteto de César R. do Nascimento.
Após o encarecimento dos combustíveis, ausência de turistas, e crise geral causadas pela 1.ª Guerra Mundial, a explosão da caldeira ocorrida em 1919, de que resultou quatro mortos e muitos feridos veio dar mais um empurrão à crise porque passava a companhia. Manteve-se ainda muito tempo em serviço, até que o seu material acabou por ser vendido para sucata em 1942.”
In: Impressões da Madeira Antiga, Luis de Sousa Melo & Susan E. Farrow











